Se o nada nada contém, como pode o nada ser ainda maior que tudo? Não sinto nada, só sinto o nada. Nada é como antes, o antes já não existe e a existência já não é mais nada.
A procura me leva à ânsia. A ânsia sobe à minha boca sedenta de ter sede mais uma vez. Rumino os pensamentos já putrefactos dentro de minha alma. E a música permanece surda, sem rastros de uma possibilidade de acontecer. A confusão, a normalidade e a insanidade trocam as posições das peças do xadrez. E quem comanda o rei tem o poder que eu perdi.
Já não faço mais as regras e não quero mais jogar esse jogo. Eu perdi, fui vencida por mim mesma. Mais uma vez o infecto ser que parasita minha alma toma conta da minha vontade. E como as ondas de uma maré ruim, o ciclo se repete, mas um dia irá retornar para as profundezas de um oceano distante. E espero que permaneça distante por um tempo, quando isso acontecer.
O que me resta são essas miúdas linhas de palavras sem significado algum. Apenas um retorcer de emoções espalhadas pelo chão da virtualidade.
Jogos perdidos e jogos incabados, todos destruídos pelo furacão de nome desconhecido que arruinou a viga da maior mansão da cidade. Nada mais é seguro. Eu queria descontar tudo nessas teclas e me sentir melhor depois disso, mas não existem metáforas suficientes que possam me proteger do uma indiscrição qualquer. Eu sinto a dor e o vazio. O vazio ainda maior que a dor. A ausência do nada o torna ainda maior. O vácuo dentro do peito e ao mesmo tempo o ódio de mim mesma. A certeza da volatilidade dos acasos regem as conjecturas mais absurdas possíveis. E eu já não tenho mais o comando das minhas tropas.
Sinto as forças combatendo entre si e destruindo minha própria cidade, e por mais que eu grite para que parem, e veja o estrago que fazem, elas olham para mim com ar de despero e não conseguem parar. Apenas imploram com seus olhares chorosos para que o conflito cesse, sem com isso poder impedir a devastação que acontece. Todos choram, mas seus movomentos continuam impassíveis e marcham uns contra os outros e contra tudo que acham no caminho. Já foram-se as cores e o ar, resta-nos apenas um pouco de música, que já está sendo atacada. Não sei por quanto tempo ainda poderá resistir.
Já não resta mais nada.
Espero o tempo para que possa reestruturar minha cidade.
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