segunda-feira, março 29, 2010

pReGuIçA

A preguiça é algo espantosamente interessante. Diria até que a preguiça é o que comanda as ações ou não ações de qualquer pessoa. A preguiça de trabalhar me fez pensar a respeito da preguiça e criar esse post. Post esse que pensei em deixar bem grande e comprido, com muitas explicações detalhadas a respeito de várias razões de a preguiça ser o regente do mundo, mas que no fim das contas não sei se ficará da maneira que pensei porque a preguiça de escrever tudo aquilo que pensei pode ir e vir. E se vier antes que tudo seja escrito e finalizado o post ficará inacabado. Afinal a preguiça é aquilo que nos faz desenvolver cada vez mais as ferramentas do photoshop, criar o controle remoto e usar um carro para se locomover. Eu sei, você vai dizer que todas essas coisas foram criadas para abreviar o tempo que utilizamos para fazer as coisas. Mas a explicação é simples, ou melhor, a pergunta é simples: para quê precisamos fazer as coisas mais rápido? Para sobrar mais tempo para não fazer nada, para levar menos tempo fazendo aquilo que temos preguiça de fazer e por aí vai. É ingenuidade achar que as invenções são todas direcionadas para o desenvolvimento da humanidade, aliás, desenvolvimento sim, mas no sentido de abreviar o esforço físico para que possamos desenvolver melhor a preguiça que nos impede de levantar a bunda do sofá para mudar de canal.
Da preguiça surgiu a geladeira, o açougue, o calendário, a caneta, o carro e a bomba atômica, afinal, por que matar um por um se podemos matar tudo de uma vez só? A preguiça determina se a pessoa é ou não é eticamente correta. Ninguém deixa água parada para a proliferação do mosquito da dengue por fé ou convicção. É por pura preguiça! Ou talvez as pessoas gastem água para lavar a calçada porque realmente achem que o consumo de água em excesso é essencial para garantir o emprego de todos que trabalham nos departamentos de abastecimento do governo.
Mas de todos os exemplo possíveis, me ocorre um em particular: a religião. É um perfeito exemplo de preguiça coletiva. Preguiça de estudar história, psicologia, filosofia e teologia até poder julgar o que acredita ser mais plausível e coerente. É bem mais fácil e rápido se pudermos escolher uma religião (de preferência a mesma de nossos pais) e passar a acreditar nela, "crer" como preferem alguns. Não é preciso estudar e nem mesmo pensar a respeito, está tudo lá, pronto e matigado. É só dizer: "eu creio" ou "essa é a minha religião" que lá está. Não há mais trabalho algum. Simples e rápido. Podemos então passar para o passo seguinte que é seguir as doutrinas dessa religião. Outro passo simples e rápido que nem exige um grande reflexão. Mas se por acaso a reflexão for "pedida" em algum momento pela sua religão, não se desespere. Basta repetir as conclusões que alguém já falou um tempo atrás, conclusão essa que deve ter sido copiada de um terceiro, quarto...
E pronto, já não precisa mais pensar a respeito disso. Pode continuar cultivando sua preguiça mental em paz.
E acabou, porque agora eu fiquei com preguiça de continuar.

sábado, março 13, 2010

A pErDa

Eu perdi.
Mais uma vez eu perdi algo que saiu de dentro de mim e não vai mais voltar.
A dor é ainda maior desta vez. A fuga é ainda maior desta vez.
Só me resta juntar os cacos e seguir em frente. Eles não vão grudar novamente com as minhas lágrimas. E o futuro não será diferente por causa do sofrimento.
Seria ótimo pensar que ao menos desse vez tudo ficaria bem, que eu iria conseguir. Mas isso não é verdade, não é mesmo?
E por mais que tente com todas as forças de cada célula de mim, eu não consigo. Há coisas que simplesmente não são para ser. Talvez algum dia até chegue a compreeder o porque de tudo acontecer dessa maneira, dessa mesma maneira sempre.
Hoje não é esse dia.
Hoje é o dia que eu gostaria de sumir também.

terça-feira, março 09, 2010

InCoErÊnCiA

A vitamina que eu mais gosto é a de abacate. Por coincidência, logo eu que deveria emagrecer uns bons quilos, opto por uma das frutas mais calóricas que existem para dela fazer a minha vitamina favorita.
Também gosto de praticar artes marciais japonesas. Por coincidência, machuquei meu ombro esquerdo há alguns anos praticando uma arte marcial.
Coincidências? Talvez não. Talvez eu precise emagrecer justamente por gostar de comer coisas calóricas e talvez eu tenha machucado o ombro justamente para me fazer enxergar quão perigoso era o que eu estava fazendo.
Tudo simplesmente acontece. Não por uma razão, não por que têm que acontecer. Acontecem.
Não há como controlar as inúmeras variáveis envolvidas em cada acontecimento das vidas. Da mesma maneira que eu não controlo o random do meu tocador de músicas.
Apenas aprecio a música que toca e faço dela a trilha sonora do momento.
Eu queria ter tirado uma foto do arco-íris. Ele fazia uma semi-circunferência no céu em pleno entardecer. Não tinha uma câmera no momento comigo. Mas eu penso que a lembrança que eu guardaria da imagem do arco-íris na fotografia não seria tão bonita. Apesar de desbotada, a imagem em minha memória traz consigo a sensação de magnitude e resplendor do fenômeno. Não sei se conseguiria isso em uma fotografia.
Eu desejei tanto tantas coisas que não consegui. Sonhei com pessoas, países e situações que simplesmente não saíram dos sonhos. E não posso ver uma razão que justifique a causa de tantos fracassos. Não há razão.
Mas houveram coisas que eu consegui. Coisas que me fizeram ser aquilo que sou. Coisas boas e ruins, todas me fizeram. E ainda não acabou. Ainda sonho com muitas coisas, desejo muitas outras. Não sou uma pessoa melhor ou pior e nem faço questão de classificar o bom e o ruim.
E embora eu tenha aprendido que desejar e sonhar não bastam para que as coisas aconteçam, ainda me pego a pensar na incoerência da inconsistência dos acontecimentos.