A vitamina que eu mais gosto é a de abacate. Por coincidência, logo eu que deveria emagrecer uns bons quilos, opto por uma das frutas mais calóricas que existem para dela fazer a minha vitamina favorita.
Também gosto de praticar artes marciais japonesas. Por coincidência, machuquei meu ombro esquerdo há alguns anos praticando uma arte marcial.
Coincidências? Talvez não. Talvez eu precise emagrecer justamente por gostar de comer coisas calóricas e talvez eu tenha machucado o ombro justamente para me fazer enxergar quão perigoso era o que eu estava fazendo.
Tudo simplesmente acontece. Não por uma razão, não por que têm que acontecer. Acontecem.
Não há como controlar as inúmeras variáveis envolvidas em cada acontecimento das vidas. Da mesma maneira que eu não controlo o random do meu tocador de músicas.
Apenas aprecio a música que toca e faço dela a trilha sonora do momento.
Eu queria ter tirado uma foto do arco-íris. Ele fazia uma semi-circunferência no céu em pleno entardecer. Não tinha uma câmera no momento comigo. Mas eu penso que a lembrança que eu guardaria da imagem do arco-íris na fotografia não seria tão bonita. Apesar de desbotada, a imagem em minha memória traz consigo a sensação de magnitude e resplendor do fenômeno. Não sei se conseguiria isso em uma fotografia.
Eu desejei tanto tantas coisas que não consegui. Sonhei com pessoas, países e situações que simplesmente não saíram dos sonhos. E não posso ver uma razão que justifique a causa de tantos fracassos. Não há razão.
Mas houveram coisas que eu consegui. Coisas que me fizeram ser aquilo que sou. Coisas boas e ruins, todas me fizeram. E ainda não acabou. Ainda sonho com muitas coisas, desejo muitas outras. Não sou uma pessoa melhor ou pior e nem faço questão de classificar o bom e o ruim.
E embora eu tenha aprendido que desejar e sonhar não bastam para que as coisas aconteçam, ainda me pego a pensar na incoerência da inconsistência dos acontecimentos.
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