Hm? Já tá gravando?
Já?
Então tá!
Meu futuro é incerto.
Quando terei a determinação necessária para que algo seja feito? E o que eu devo fazer para tornar a minha vida feliz? O que faz da minha vida infeliz? O que é a infelicidade? Felicidade?
Que repetição!
Oras!
Indignação, fração, fissão, imersão, oração, propulsão, expulsão, expansão, emoção, atenção, tensão, coração, bateção, cabeção, curtição, azaração, redução, reflexão, meditação, respiração, transpiração, ocupação, inspiração. São?
Quem são? Como são? Quais são?
Ha ha ha!
Novamente, um novo começo, ou recomeço.
Meu futuro é incerto.
Isso é certo. Ou incerto?
Certeza? Certamente.
Certamente é certo? Ou correto?
O certo é correto?
Correto ou reto? Corrente, corrido, correndo, corroído, corrompido.
Correr, comer, correr por quê?
Ah!
Chega!
terça-feira, outubro 03, 2006
sábado, julho 08, 2006
bRaSíLiA
Eu conheci uma linda cidade. Uma cidade onde eu vi o mais lindo pôr-do-sol da minha vida. O pôr-do-sol é sempre lindo, em qualquer cidade, mas este é o primeiro que eu tenho certeza de que vou me lembrar durante muito tempo ainda. Um lugar cheio de coisas horríveis, com toda a sua secura e corrupção, mas que ainda assim consegue ser um lugar belíssimo. É feita de pessoas que sobrevivem a um cotidiano simples e repetitivo, onde todos acordam, comem e dormem no mesmo horário. Onde tudo é inquietantemente previsível. Essa cidade é como outra qualquer, que tem um povo que sofre e tenta sobreviver. Tem uns poucos que esbanjam e tentam sofrer. Tem aqueles que trapaceiam e mentem descaradamente. Acumulam riquezas e realmente acreditam que são melhores que os outros. Uns tolos.
Uma cidade que para aos fins de semana e jogos da copa sem remorso algum. Um lugar cheio de lugares sem nada. Mas também um lugar onde já não cabe mais calor. O clima não é um dos melhores que eu já vi, e que perto da minha cidade natal deixa muito a desejar. Mas ainda assim é um lugar que é lindo.
Não sei explicar ao certo o que é mais bonito. A sensação de estar em um lugar onde é o berço de políticos horrendos e ainda assim ficar encantada com o planejamento e a arquitetura do lugar, misturado a uma vegetação seca e retorcida com um lindo entardecer. É certamente a mistura da organização e desordem que mais me fascina.
Sem dúvidas é um lugar onde o que o homem construiu é tão marcante quanto a natureza do local. O encantamento por esta cidade se torna maior a cada paisagem passada pelos meus olhos.
Um ótimo lugar para se visitar, mas um péssimo lugar para se morar. Conviver com a beleza e a vergonha é difícil. Vergonha por estar tão perto das maiores safadezas que acontecem neste país. Tudo de belo que o dinheiro pode comprar talvez eu encontre aqui. Mas mesmo assim não deixo de ficar estasiada diante de tal visão.
É tão contraditório quanto o amor.
Uma cidade que para aos fins de semana e jogos da copa sem remorso algum. Um lugar cheio de lugares sem nada. Mas também um lugar onde já não cabe mais calor. O clima não é um dos melhores que eu já vi, e que perto da minha cidade natal deixa muito a desejar. Mas ainda assim é um lugar que é lindo.
Não sei explicar ao certo o que é mais bonito. A sensação de estar em um lugar onde é o berço de políticos horrendos e ainda assim ficar encantada com o planejamento e a arquitetura do lugar, misturado a uma vegetação seca e retorcida com um lindo entardecer. É certamente a mistura da organização e desordem que mais me fascina.
Sem dúvidas é um lugar onde o que o homem construiu é tão marcante quanto a natureza do local. O encantamento por esta cidade se torna maior a cada paisagem passada pelos meus olhos.
Um ótimo lugar para se visitar, mas um péssimo lugar para se morar. Conviver com a beleza e a vergonha é difícil. Vergonha por estar tão perto das maiores safadezas que acontecem neste país. Tudo de belo que o dinheiro pode comprar talvez eu encontre aqui. Mas mesmo assim não deixo de ficar estasiada diante de tal visão.
É tão contraditório quanto o amor.
domingo, junho 11, 2006
PaRtE - I
Todos os dias passam como se fossem os únicos dias existentes no tempo. E para alguns, os dias passam lentamente, arrastando-se como lesmas e deixando um rastro gosmento e luminoso para trás. Para outros o tempo passa rapidamente, tão veloz que não se pode medir ou contar. Um dia é muito e ao mesmo tempo pouco demais. Mas, e se o tempo pudesse ser controlado? Se o que nós vemos e sentimos fosse moldado de acordo com os caprichos de alguém? Para nós o tempo é sempre igual, mas não é isso que acontece com Alice.
Ela pode ver o tempo lentamente, como um vídeo em câmera lenta ou optar por passar tudo rapidamente, num piscar de olhos. Alice se diverte às vezes, vendo uma gota cair durante "horas", ou vendo as pessoas correndo para todos os lados, o sol se pondo e nascendo do outro lado, como o Pequeno Príncipe. Mas Alice, por ironia do destino jamais pensou em interfirir no andamento das coisas, sempre permitindo que tudo corresse da maneira como deveria ser.
Até hoje.
" O despertador toca, acorda meio mundo, menos Felipe. São as pancadas na parede que o faz despertar.
- Desliga essa porcaria! - grita o cara do quarto ao lado.
Felipe, ainda atordoado, abre os olhos e mira em direção ao relógio. Tudo embaçado. Tateia a mesa de cabeceira e põe os óculos. Mais pancadas na parede. São cinco horas da manhã. Ele se senta e desliga o relógio. Aos poucos se lembra da noite anterior, quando conheceu uma garota bastante interessante. Lembra que conversou com ela durante muito tempo, mas que só tinha estado com ela durante meia hora. Seus olhos verdes não saíam da sua cabeça e ainda podia sentir o perfume dela no ar. Felipe se levanta e olha para fora. O sol já nasceu. Decide então tomar um banho. Pega as roupas e vai para o banheiro. No caminho percebe alguns riscos preto no chão e pensa em limpar tudo isso mais tarde. No banho ele se lembra do encontro marcado para esta noite, com a mesma garota. Sai do banho e vê que o sol já está alto no céu. Olha o relógio. São dez horas!
Ela pode ver o tempo lentamente, como um vídeo em câmera lenta ou optar por passar tudo rapidamente, num piscar de olhos. Alice se diverte às vezes, vendo uma gota cair durante "horas", ou vendo as pessoas correndo para todos os lados, o sol se pondo e nascendo do outro lado, como o Pequeno Príncipe. Mas Alice, por ironia do destino jamais pensou em interfirir no andamento das coisas, sempre permitindo que tudo corresse da maneira como deveria ser.
Até hoje.
" O despertador toca, acorda meio mundo, menos Felipe. São as pancadas na parede que o faz despertar.
- Desliga essa porcaria! - grita o cara do quarto ao lado.
Felipe, ainda atordoado, abre os olhos e mira em direção ao relógio. Tudo embaçado. Tateia a mesa de cabeceira e põe os óculos. Mais pancadas na parede. São cinco horas da manhã. Ele se senta e desliga o relógio. Aos poucos se lembra da noite anterior, quando conheceu uma garota bastante interessante. Lembra que conversou com ela durante muito tempo, mas que só tinha estado com ela durante meia hora. Seus olhos verdes não saíam da sua cabeça e ainda podia sentir o perfume dela no ar. Felipe se levanta e olha para fora. O sol já nasceu. Decide então tomar um banho. Pega as roupas e vai para o banheiro. No caminho percebe alguns riscos preto no chão e pensa em limpar tudo isso mais tarde. No banho ele se lembra do encontro marcado para esta noite, com a mesma garota. Sai do banho e vê que o sol já está alto no céu. Olha o relógio. São dez horas!
domingo, março 19, 2006
TeMpO
Há tempos eu não venho aqui.
Há algum tempo eu penso em vir, mas não venho.
Eu sempre penso em algo para escrever, mas sempre acabo escrevendo algo que não pensei.
O pensamento é muito rápido e difícil de acompanhar, então eu fecho os olhos e deixo as minhas mãos me guiarem pelos caminhos deste texto. Eu não escrevo de olhos fechados. Então eu abro os olhos e espero que alguma inspiração idiota escreva por mim. Escreva aquilo que sinto sem dizer o que penso, que escreva, escreva, escreva sem pensar, sem se importar com nada. Sem erros, sem pudor, sem falsidade e sem veracidade, sem preocupações ou precauções, sem fé, sem humor, sem amor, sem ser aquilo que deveria ser. Escrevo, como já disse, apenas por uma satisfação pessoal, sem esperar que alguém leia. Não quero críticas, não quero que você me diga o que eu já disse. Não quero que você pense que me entendeu ou pense que eu não te entendo.
Há muito tempo eu não vejo mais as coisas como elas deveriam ser. Não sinto. Não quero.
Não posso, não devo continuar vivendo da mesma maneira que sempre vivi e, ao mesmo tempo, não posso viver de maneira diferente daquela que eu vivo.
Bem? Não estou. Mal? Jamais, nem penso nisso.
Apenas vivo. Vivo e a cada momento me pergunto se essa é a melhor maneira de se viver. Se esta é maneira correta de ser ver. Se o meu dever é sempre viver nessa eterna angústia e falta do pensar e do que fazer. Não ligo para as coisas que acontecem ao meu redor. Tanho algo bem mais importante em mente, como o meu próprio umbigo, afinal é ele a coisa mais importante para mim.
Não consigo ser feliz apenas pela felicidade dos outros e nem pretendo que os meus gestos de bondade tornem o mundo um lugar melhor pra se viver.
Mesmo assim não consigo viver alheia ao mundo, sem sentir aquilo que me rodeia. Eu preciso mudar o seu jeito de ser.
Eu quero mais, sempre mais. E nunca o que você me oferece é o bastante.
Não pense que você sabe exatamente tudo aquilo que eu sinto.
Tudo é infinitamente complicado para ser entendido.
Você não pode me entender.
Há algum tempo eu penso em vir, mas não venho.
Eu sempre penso em algo para escrever, mas sempre acabo escrevendo algo que não pensei.
O pensamento é muito rápido e difícil de acompanhar, então eu fecho os olhos e deixo as minhas mãos me guiarem pelos caminhos deste texto. Eu não escrevo de olhos fechados. Então eu abro os olhos e espero que alguma inspiração idiota escreva por mim. Escreva aquilo que sinto sem dizer o que penso, que escreva, escreva, escreva sem pensar, sem se importar com nada. Sem erros, sem pudor, sem falsidade e sem veracidade, sem preocupações ou precauções, sem fé, sem humor, sem amor, sem ser aquilo que deveria ser. Escrevo, como já disse, apenas por uma satisfação pessoal, sem esperar que alguém leia. Não quero críticas, não quero que você me diga o que eu já disse. Não quero que você pense que me entendeu ou pense que eu não te entendo.
Há muito tempo eu não vejo mais as coisas como elas deveriam ser. Não sinto. Não quero.
Não posso, não devo continuar vivendo da mesma maneira que sempre vivi e, ao mesmo tempo, não posso viver de maneira diferente daquela que eu vivo.
Bem? Não estou. Mal? Jamais, nem penso nisso.
Apenas vivo. Vivo e a cada momento me pergunto se essa é a melhor maneira de se viver. Se esta é maneira correta de ser ver. Se o meu dever é sempre viver nessa eterna angústia e falta do pensar e do que fazer. Não ligo para as coisas que acontecem ao meu redor. Tanho algo bem mais importante em mente, como o meu próprio umbigo, afinal é ele a coisa mais importante para mim.
Não consigo ser feliz apenas pela felicidade dos outros e nem pretendo que os meus gestos de bondade tornem o mundo um lugar melhor pra se viver.
Mesmo assim não consigo viver alheia ao mundo, sem sentir aquilo que me rodeia. Eu preciso mudar o seu jeito de ser.
Eu quero mais, sempre mais. E nunca o que você me oferece é o bastante.
Não pense que você sabe exatamente tudo aquilo que eu sinto.
Tudo é infinitamente complicado para ser entendido.
Você não pode me entender.
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