terça-feira, agosto 24, 2010

MaReS

Um dia eu quis fugir de tudo e de todos, começar uma vida nova, em outro lugar, com outras pessoas. Deixar para trás tudo que eu era e tudo que me angustiava nessa vida que eu levava. E, por um tempo, um longo período de tempo, eu até consegui. Escolhi para mim somente as coisas que eu gostava da minha antiga vida e coloquei na mala juntamente com a coragem de sair de casa e dei meu passo rumo à uma nova vida.
E vivi uma vida diferente, também com seus alto e baixos, mas uma vida mais fácil e despreocuapada. Mas então, como num mergulho, eu tive que voltar a tona e ao abrir os olhos pude perceber que o céu que antes parecia nublado no momento em que afundei, agora está completamente negro e trovejante. Mergulhar novamente não vai fazer a tempestade se desfazer, apenas trará mais rápido o furacão que ainda está por vir.
E nessas horas eu percebo o quanto sou fraca e vulnerável. Logo penso em como gostaria de poder afundar e sentir a água enchendo meus pulmões, e nunca mais voltar. E embora ainda não tenha chegado o tempo de sair da água, tenho medo desse dia.
E mais que qualquer outra coisa, penso em outros mares, outras vidas, algo que me afaste do que um dia eu fui.

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