- Existia esse lugar lá no meio do nada, onde eu ia passar minhas férias, nem me lembro mais ao certo porquê eu ia lá, mas a verdade é que todo ano eu ia para aquele lugar. É impressionante como os anos parecem não passar quando se é criança. Eu já não me lembro quantas vezes eu fui e pensando bem...
- Espere um pouco! Não, não, não! Está tudo errado! Você não pode começar um livro contando essa história desse jeito! Você tem que se apresentar e contar o porquê de estar contando tudo isso.
- O porquê? Porque você me perguntou, oras!
- Não! Sim! Quer dizer... Você precisa contar a história desde o começo! Não pode simplesmente dar um começo para essa história? Sei lá, para que tudo faça sentido!
- Eu dei um começo! Você é que não gostou dele! Eu dizia que tinha esse lugar lá no meio do nada...
- Mas onde ficava esse lugar? Não pode ser mais específica?
- Escute! Eu não sei onde ficava! Eu era uma criança, está lembrado? Nunca fiz questão de saber onde ficava, apenas ia para lá nas férias.
- Mas espere, como você ia para lá? Alguém te levava? Você ia de carro? Como era esse lugar? Como esra a estrada que você percorria?
- Agora chega! Você deixar eu contar a história ou vai ficar se intrometendo na maneira como eu conto as coisas? Não, porque se você for ficar falando desse jeito é melhor fazermos uma entrevista. Você pergunta e eu respondo apenas.
- Não, acho que não. Uma entrevista não é algo muito interessante de ler. Começa a ficar cansativo e se for muito longa ninguém chega até o fim. Ficam pulando para as perguntas que querem saber e depois reclamam que a história está mal contada.
- Então não venha me culpar depois por esta história ficar mal contada, pois se você fica me interrompendo toda hora...
- Ok, então. Vou tentar me controlar. Mas vê se conta a história direito ou eu vou intervir!
- Como eu ia dizendo, existia esse lugar onde eu costumava passar minhas férias. Foi lá que eu conheci o "Menino de Madeira".
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