quarta-feira, outubro 13, 2004

NaDa

Às vezes penso que a minha vida é um nada, sem importância.
Nada...
Mas até mesmo nada é importante. O que seria do tudo se o nada não existisse? Existiria também o tudo?
Nada...
Ah, como eu gostaria de ser o nada, ficar eternamente esperando que o tudo viesse a preencher o meu vazio, mesmo sabendo que isso implicaria em desaparecimento. Mas esse dia jamais chegaria. Pois se esse dia chegasse, seria o fim não só do nada mas também do tudo...
A paciência de esperar eternamente...
Mesmo assim ainda sinto o vazio eterno dentro de mim.
Mesmo não sendo o nada.
Mesmo sendo algo, eu sinto o nada enraizado em minhas veias. Rasgando cada célula, se infiltrando-se em meus pensamentos, tomando conta do meu ser.
E minhas mãos voltam-se contra meu próprio corpo afim de retirar-lhe o último resquício de vida. Perfuram meus olhos para que não haja mais dor, cravam em minha boca a estaca para que não haja mais medo e desmancha a minha pele para que não haja mais desespero.
É o nada tomando conta de minha consciência, da minha pouca sanidade.

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